A Lenda de Zelda: O Sopro Selvagem – Capítulo 1

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Talvez fosse porque dormira demais e provavelmente não comera nada, Link estava com fome. Virou-se, e viu um cogumelo alaranjado. Não tinha certeza se era comestível, mas pegou mesmo assim. No momento em que iria guarda-lo em sua bolsa, um compartimento se abriu. Ali estava escrito numa bela letra “Cogumelo Hylian – Mais informações no Hyrule Compendium”.

Seja lá o que fosse um Hyrule Compendium, não importava agora. As árvores por perto eram frutíferas – conseguiu ver várias maçãs -, e haviam mais cogumelos. Conseguiu contar quatro, além do que estava na sua bolsa. Pegou tudo, e um galho de árvore para se proteger.

Andou em direção ao senhor que estava lhe olhando, ele tinha uma bela fogueira, e Link pôde observar alguns detalhes do velho. Ele tinha uma barba grande e grossa, e usava um capuz negro que cobria toda sua face. Talvez deveria confiar nele, ou pelo menos perguntar onde estavam.

— Me desculpe — disse, rapidamente — Poderia me sentar aqui? Estou morrendo de fome, e não quero comer esses cogumelos antes de cozinha-los.

Por algum motivo o idoso riu, e olhou para Link. Talvez esteva concentrado em seus olhos azuis, ou no seu cabelo que precisava ser preso. Ou até perguntando de onde Link havia saído, e porque ele estava com roupas velhas. Mas havia um brilho incomum em seus olhos, como se conhecesse ele. Aquilo era esquisito, porém não importava. Link só queria assar um cogumelo e ir embora.

— Meu jovem, se sente. Que cogumelos você tem? – Link mostrou seus cogumelos hylians — Ah, os hylians. Ótimos para cozinhar, sabe, muito versátil. Deveria experimentar algo na minha casa depois, tenho um pote lá. Quer uma maçã? Está assada.

— Apenas quero assar esses cogumelos e tentar lembrar de algo.

— Lembrar de algo? Esqueceu algo antes de partir para aqui? Não está explorando o Great Plateau? — Link fez uma cara de confuso. Quem era ele para saber de suas coisas? — Quem é você?

Ter falado “tentar lembrar de algo” não fora uma boa idéia. Era como se o idoso estivesse tentando saber tudo sobre ele, mas não se lembrava de nada.

— Onde nós estamos? — respondeu. Talvez pudesse tirar sua atenção daquilo.

— Hum! Respondendo uma pergunta com outra pergunta. Sabia que era inteligente – e riu novamente. — Nós estamos no reino de Hyrule, onde todo o reino foi criado, segundo as lendas. Vê aquela estrutura? — apontou para o lugar que Link vira antes. — Aquilo era um templo, há muito tempo. Dizem que aquilo foi importante há anos, mas não faço a mínima ideia sobre o que aquilo é exatamente.

Embora tenha achado que tudo que havia sido dito verdade, essa última frase não descia, como se tivesse algo errado. Mas ignorou.

***

Duas horas depois, já estava satisfeito. O velho parecia querer perguntar algo pra ele no final, mas apenas falou para pegar seu machado.

—Tenho outro, não se preocupe. E, acredite, será melhor do que esses galhos que você pegou para assar os cogumelos.
—-Obrigado, senhor. Foi bom lhe conhecer.

Link desceu um pouco a colina, e, no meio das árvores, encontrou uma criatura humanoide, com cara de porco. Quando o viu, deu um berro e correu para cima de Link.

Com um pulo rápido para trás, desviou do golpe furioso do bokoblin. O velho senhor tinha lhe contado dessas criaturas. Eram ferozes, onívoros e habitavam Hyrule.

Link pegou o machado com as duas mãos, e desviou de um ataque furioso do bokoblin. Rapidamente, partiu para um golpe no braço esquerdo, que estava desarmado. Embora a pele avermelhada do monstro fosse dura, o golpe foi forte. Ele se virou, e tentou dar um soco em Link, que defendeu com o machado.

Com um golpe rápido, quebrou o graveto velho, e acertou a lâmina do machado no pescoço do bokoblin, que berrou por uma última vez, e, quando Link voltou a olhar, haviam apenas dois dentes e um chifre ali. O corpo havia desaparecido.

Olhou em volta das árvores, não tão altas. Conseguiu pegar mais dez maçãs, antes de olhar pra trás, e ver um lago. Uma pequena ilha estava ali no meio, e no topo dela, uma espada. Pelo o que conseguiu ver, ela estava enferrujada, mas era melhor do que nada. De alguma forma, conseguia lembrar de como usar uma espada, mesmo não lembrando de já ter usado uma.

Uma pequena inclinação se encontrava na colina que estava, puxada para o lago. Seria um ótimo lugar para pular na água, e as folhas caídas pareciam formar um alvo.

Pulou ali, e ouviu um riso. Uma criatura pequena, voando por um pequeno “catavento” estava ali. Ela tinha uma folha na cara. Link quase parou de nadar, por susto.

—Haha! Você me achou! Mas, espere. Você não é Hestu. Como consegue me ver?

—Me desculpe, mas o que é você?

—Oh! Não sabe o que é um korok? Bem, leve esta korok seed, e a dê para Hestu, quando encontrar ele. Adeus!

O korok deu uma pequena semente amarela para Link, que nadou em direção a ilha. Koroks seeds. Sua bolsa era feita daquilo, pelo o que o bilhete dizia.

Pegou a espada enferrujada, e foi para a estrutura antiga, quase toda destruída. Viu vários destroços de robôs com “tentáculos grandes”, que pareciam funcionar com pernas. Pegou alguns parafusos e engrenagens ali.

Dentro do lugar, encontrou três vasos. Dentro de dois deles, haviam dez flechas, cinco em cada um. Um baú estava ali próximo, e dentro havia um arco simples. No final daquele local, havia uma estátua grande de uma mulher com asas.

Subiu até o teto de lá por uma escada que estava na parede, do lado de fora, e conseguiu achar um arco melhor na torre que havia ali.

–Link… Olhe o ponto marcado em seu Sheikah Slate…

Ouviu a voz misteriosa de novo. Dessa vez, olhou no Sheikah Slate, como foi pedido. Um ponto amarelo brilhava ali, e sua localização também era mostrada.

Desceu da torre, e foi andando. Alguns bokoblins tentaram acertar flechas nele, mas antes de acabar com eles, deseja ver o que era aquilo.

Andou cada vez mais rápido. Viu várias pedras juntas.

Chegando naquele lugar, era uma estrutura pequena, que mal se podia ver o topo, graças às pedras. Entrou ali, e viu um pedestral. Um buraco que deveria caber o seu Sheikah Slate se encontrava no pedestal. Algumas runas diziam para ele colocar o Sheikah Slate ali, o que Link logo fez.

— Autenticando… Sheikah Slate autenticado. Zzzzz… Cuidado com as rochas que poderão cair.

A terra tremeu. Link caiu no chão, e desmaiou. A estrutura subiu, se tornando uma torre. Em toda Hyrule, outras torres assim surgiam. Os animais silvestres se assutavam, e os monstros olhavam com medo. Aquilo era um sinal de esperança, para os habitantes, pois o seu herói estava retornando.

Em breve o próximo capítulo do conto – A Lenda de Zelda – O Sopro Selvagem

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