A Lenda de Zelda: O Sopro Selvagem – Capítulo 2

1

Link acordou de repente. Se levantou, e percebeu que aquela estrutura em que estava antes havia aumentado de tamanho para uma enorme torre. Olhou para o pedestral onde tinha deixado seu sheikah slate.

Uma pequena gota azul, que não parecia ser nem gasosa, nem líquida, e muito menos sólida, caiu ali.

Um mapa se abriu na tela do sheikah slate, revelando uma pequena parte de um todo, que deveria ser Hyrule. A pequena parte provavelmente deveria ser o great plateau, como pensou Link. Pegou o tablete. E olhou para os lados.

Viu então o castelo rodeado por trevas novamente. Mas, dessa vez, uma luz parecia surgir no alto.

—Tente… Tente se lembrar… — ouviu novamente a voz, e seguiu sua direção, tendo certeza de que ela vinha do castelo.

—Você esteve dormindo pelos últimos cem anos… — após esta frase, a luz parecia ficar mais forte. — A besta… Quando a besta recuperar seu verdadeiro poder, esse mundo irá ver seu fim…

As trevas ao redor do castelo começaram a se formar em uma forma que se assimilava à um porco selvagem, que parecia urrar de ódio. A luz ficou mais forte, como se tentasse conter aquelas trevas ao castelo.

—Você precisa se apressar, Link…

Link passou as mãos pela a cabeça, confuso. Até agora a pessoa que possuía aquela voz parecia ser confiável… Mas, cono poderia ter dormido por cem anos? Se apressar para que, exatamente? De alguma forma, uma vontade imensa de invadir aquele castelo. Havia algo de errado, e isso era claro, apenas vendo a estrutura do lugar, que deveria ser majestoso e um ponto alto de Hyrule há anos atrás. Mas agora tudo o que sobrava eram ruínas e trevas.

Olhou para os lados e viu uma descida da torre, com várias plataformas em sua volta. Talvez fosse seguro, talvez não fosse. Mas como não tinha outro meio, decidiu descer por ali.

A distância de altura entre cada plataforma não era muito grande, o que impediu que link sofresse qualquer ferimento.

Quando chegou ao chão, o velho senhor que tinha encontrado antes planou em sua direção, com um tipo de paraquedas.

—Ora ora, parece que temos um mistério aqui. — disse ele, olhando para Link. — diversas torres iguais a essa surgiram por todo o reino, aparentemente. Diga-me, qualquer coisa estranha aconteceu com você quando você estava lá em cima?

—Aconteceu. Eu ouvi uma voz — decidindo contar o máximo possível da verdade, começou a contar. — era uma voz feminina…

—Ah! E você reconheceu a voz? — perguntou o senhor, com um brilho nos olhos.

—Não… Mas me lembra de algo… Porém, não consigo lembrar disso… — disse, cada vez mais confuso.

—Ah, isso é um azar. — disse o velho, se virando na direção do castelo. — Creio que você já deve ter visto aquela atrocidade envolvendo o castelo. Aquilo é… Calamity Ganon. Um século atrás ele destruiu tudo que via pela frente, transformando o grande reino de Hyrule em ruínas. Muitas vidas inocentes foram perdidas. O símbolo máxima do reino, o Castelo de Hyrule, agora é o local onde ele vive, esperando o dia em que seu poder esteja completo novamente, para poder acabar de vez com o mundo como conhecemos…. — virando para Link, perguntou: — Fale para mim, viajante, você deseja entrar no castelo e tentar acabar com a grande calamidade?

Link apertou os nós dos dedos. Um século. Segundo a voz, ele dormira pelo mesmo tempo. Poderia ser apenas uma pequena coincidência do destino? Talvez aquelas coisas estivessem conectadas de alguma forma, mas como? Entretanto, decidiu falar o desejo que vinha infestando seu coração há algum tempo:

—Eu não desejo entrar no castelo e acabar com isso. Eu vou. — falou, determinado.

—Ha! Mas antes, você precisa sair desse lugar isolado. Aqui em cima, caso tente pular, nenhuma morte poderia ser mais certa, ou mais estúpida. Mas, se você tiver um paraglider igual ao meu…

Não deixando o senhor terminar a frase, o rapaz perguntou:

—O que é um paraglider?

—Oh, certamente você me viu chegando aqui. Aquilo que eu usei para planar era um paraglider. Eu posso lhe emprestar o meu, mas antes, quero que você faça uma coisa. Venha, me siga.

Falando isso, começou a andar, subindo um pequeno morro. Link o seguiu, curioso.

—Vê aquela estrutura? — e apontou para um lugar pequeno, que tinha fortes cores laranjas na sua base. — Começou a brilhar no mesmo momento em que as torres subiram. Entre lá, e me traga o que conseguir lá dentro.

—Apenas isso?

—Não faça perguntas precipitadas, garoto! Nunca se sabe quando posso mudar de idéia. Agora, vá.

Então Link partiu, encontrando um pequeno acampamento de bokoblins antes. Lançou uma flecha na cabeça do que estava na torre de vigia, fazendo os outros irem ver o que estava acontecendo. Pegou sua espada enferrujada, e acertou um golpe furtivo em dois deles, deixando o outro distraído, aproveitando disso para finalizá-lo. Como da outra vez, seus corpos sumiram, deixando pra trás apenas dentes e chifres.

Pulou no lago que tinha ali perto, o separando daquela estrutura que o velho lhe pediu para investigar, e nadou até o outro lado.

Chegando ali, secou o máximo possível de suas roupas, aproveitando o Sol forte que fazia naquele momento. Subindo na superfície do lugar, viu um pedestal, e, sentindo que estava tudo conectado, passou seu sheikah slate ali, e o olho laranja com uma lágrima tinha ficado azul, assim como esse mesmo símbolo no topo do lugar, e suas bordas laranjas. Uma porta se abriu, deixando um compartimento que, deixaria, no máximo, duas pessoas entrarem. Parecia estar vazio. Link pensou em voltar e falar com o senhor que não havia nada ali, mas decidiu investigar mais a fundo.

Quando subiu na plataforma, um campo de força azul surgiu em sua volta, o impedindo de sair daquele local. A plataforma começou a descer, até chegar em um lugar bem maior do que aquele lá em cima. Então, o lugar ficava escondido no subsolo, e provavelmente aquele senhor já sabia disso.

Então, do nada, ouviu uma voz:

—Meu nome é Oman Au. Em nome da Deusa Hylia, eu ofereço esse desafio.

Surgiu como a voz de antes, mas era diferente, como se fosse de um megafone escondido no lugar, mas mesmo assim, direcionado apenas para ele, sem que uma pessoa do outro lado da “sala” pudesse ouvir.

Olhou em volta. Haviam grades, e duas placas de metal no chão, em sua frente. Também havia mais um pedestal para colocar seu sheikah slate. Por costume, o colocou ali. Como na torre, apareceu que o sheikah slate foi escaneado, e dessa vez, que uma runa estava sendo extraída.

Após a queda da gota, apareceu algo na tela, que Link pode ler como: “Magnesis: capaz de controlar quaisquer elementos de metal.”

Pegou o objeto logo, e tentou testar aquilo. Parecia ser algo interessante, talvez perigoso, e se sentia curioso para saber o que aconteceria.

Apertou um botão que estava sendo apontado para usar a runa, e as barras de metal no chão ficaram vermelhas no alcance de um raio de luz que saia do sheikah slate. Conseguiu selecionar uma delas, fazendo um ímã aparecer em volta do tablete. Pela primeira vez que fez isso, se assustou e deixou o objeto escorregar das mãos, mas felizmente não sofreu nenhum tipo de dano. Com cuidado, levantou as mãos — com o sheikah slate nelas —, fazendo com que a placa de metal se afastasse, e revelasse uma passagem escondida.

Desceu por ali, e andou por um corredor, até encontrar uma rampa, que dava para mais um compartimento da sala. Dessa vez, diversos blocos bloqueavam uma parede, mas, um deles era de metal. Usando a habilidade nova pela terceira vez, tirou o bloco da frente, o empurrando pra frente, e o puxou para sua direção, para tirar mais um bloco que estava em seu caminho. Do outro lado da parede de blocos, como pode ver, havia um robô pequeno,parecido com aquele que tinha visto nas ruínas antes, mas em menor proporção. Ao ver Link, ele começou a entrar em uma espécie de posição de ataque. Sem perder tempo, tirou sua espada enferrujada da bainha, e o atacou sem piedade. No último ataque, porém, a espada quebrou em suas mãos, a deixando inútil. Deixou para trás os restos dela, e revirou o robô, conseguindo salvar umas pequenas engrenagens para uso próprio.

Aquela parte era dividida por três plataformas grandes, separadas por um meio que dava para o chão, sendo que apenas duas plataformas estavam conectadas. Porém, a primeira coisa que Link percebeu quando foi resolver esse enigma, era que, o que ligava as duas plataformas, era uma placa de metal. Se aproveitou disso, e usou a placa para atravessar a primeira plataforma, e depois para atravessar a segunda.

Ao chegar lá, deu de cara com duas portas de metal gigantes. Usou novamente o Magnesis, e deu um suspiro aliviado quando aquilo deu certo. Abriu as portas, e entrou no que deveria ser a sala final.

Ali havia um corpo em decomposição, mas, mesmo assim, parecia estar conservado, por causa de um longo tempo que o separava de quando estava vivo. Sentado numa possível normal,com as mãos fazendo algum tipo de símbolo. Era protegido por mais um daqueles “campos de força” que Link tinha visto antes. O símbolo com o olho com a lágrima também estava presente ali. Deu um leve toque com a mão naquele olho, como se tentasse perguntar algo, e o campo de força se quebrou, partindo-se às dezenas de pedaços. Então, Link ouviu.

—Você fez bem em completar esse desafio, provando ser um verdadeiro herói. Eu sou Oman Au, o criador desse desafio. Em nome da Deusa Hylia, aceite esse presente.

Então do corpo saiu uma bola de energia, não como energia elétrica, e sim energia espiritual. Entrou dentro de Link, trazendo uma ótima sensação, e sentiu todos os seus ferimentos (apenas pequenos) curados.

—Que a Deusa esteja ao seu lado. — dito essas palavras, o corpo se desfez em poeira. Ainda olhando para aquela direção, Link percebeu que era aquela bola de energia que o velho senhor queria. Mas, por quê? E como ele sabia que havia algo ali dentro, realmente?

Link teria muitas perguntas para lhe fazer na próxima vez que se vissem.

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1 comentário
  1. Anderson Galvão Diz

    Parabéns eu gostei demais e estou a espera do próximo capítulo

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