Análise – Castle of Heart

Um jogo feito as pressas só pode ter um resultado...

2

Castle of Heart é um jogo exclusivo para o Nintendo Switch do estúdio polonês 7Levels. Foi lançado em 23 de março de 2018 e a sua premissa parece ser bem chamativa. Por conta do visual do protagonista e dos cenários é normal que qualquer pessoa associe o game no primeiro momento à Dark Souls, porém nos primeiros 5 minutos de jogo toda a sua promessa vai por água abaixo. Ele se mostra um jogo extremamente aquém do título da From Software e muito mais próximo a um mobile. A proposta do game é ser um plataforma side-scrolling com elementos de fantasia sombria.

Aquela história que todo mundo já viu em algum lugar

Começamos pela história, na qual só não consegue ser mais clichê por falta de espaço: o jogador controla um cavaleiro aleatório que se transforma em pedra ao tentar proteger a sua amada das mãos de um bruxo que também é bem aleatório. O bruxo então sequestra a mulher do cavaleiro, mas no último momento a donzela derrama uma lágrima sobre o corpo petrificado de seu marido fazendo-o se levantar com sede de vingança e parte em busca de sua esposa. Pronto. Esse é o plot do jogo. O clichê é tanto que chega a dar vergonha alheia quando há cutscenes prosseguindo com a história.

Um sistema quebrado e sem sentido

O gameplay do jogo é básico. O seu personagem começa com uma espada que não tem quase dano nenhum, sendo praticamente impossível prosseguir no game apenas com ela. O que faz seu poder de ataque aumentar são armas secundárias que estão espalhadas pelos cenários: há machados, outras espadas, bestas, clavas, massas, lanças e etc. – Esse sistema me fez pensar em uma questão: se as armas secundárias são essenciais para vc prosseguir no game, por quê elas são secundárias? Fica aí um questionamento.

O combate é extremamente frustrante e travado graças a movimentação precária do personagem. O cavaleiro se assemelha a um robô se movimentando, o que resulta em um combate pobre e nada fluído, sem precisão alguma. Ah! Falando em precisão isso é algo que passa longe nesse game, há um leve delay nos comandos o que dificulta muito não só nas lutas, mas como também pular em plataformas – e olha que estamos falando de um game que propõe ser plataforma. Plataforma sem precisão não cola, 7levels.

Há também um cinto de itens especiais que o personagem carrega. Há facas de arremesso e bombas de fogo, de gelo e comuns. Esses itens podem auxiliar melhor nas batalhas, principalmente quando há muitos inimigos.

Além dos problemas graves e que deixam o jogo completamente quebrado há também o fato de seu personagem ir perdendo vida gradativamente sem nenhum motivo aparente. Ou seja, o jogador precisa dar uma de Usain Bolt pra chegar o mais rápido possível até o próximo Check Point, onde a vida do cavaleiro se recupera novamente. Os inimigos dropam vida e energia (na qual eu particularmente não entendi para o que serve), porém a vida derrubada é muito pouca, sendo mais efetivo pegar as que ficam espalhadas pela fase para dar um gás a mais para chegar no próximo Check Point. Quando sua vida chega em um ponto crítico o cavaleiro petrificado perde um dos braços, impossibilitando-o de carregar a arma secundária que é essencial para derrotar os inimigos (sentido? Nenhum).

Um mundo fraco com colecionáveis questionáveis

Cada fase possui cinco cristais rosas que estão escondidos, o motivo para coletá-los não fica muito evidente. Em um jogo onde seu personagem vai perdendo vida durante a aventura é no mínimo duvidoso a escolha de colocar colecionáveis tão escondidos e sem um motivo aparente, não dando nenhum incentivo à exploração, muito pelo contrário.

São apenas 4 mundos com 5 fases cada. Os mundos são muito genéricos: um burgo, uma floresta, montanhas de gelo e castelo (acho que já vi isso em vários outros lugares, ein?). O level design das fases são bem simples e sem carisma. Os inimigos são todos genéricos, sendo apenas variações dos que já foram apresentados em cada mundo. Não há diversidade alguma nas criaturas.

Belos gráficos, mas muita frustração

A dificuldade é algo que se faz presente no jogo todo, mas não do jeito que você imagina. O jogo é difícil justamente por ter um sistema quebrado, movimentação horrorosa e falta de precisão dos comandos. Se a ideia da 7levels era trazer desafio ela conseguiu, mas não do jeito que deveria ser.

Os Bosses do jogo beiram o ridículo. Se o game inteiro é uma frustração, nos bosses o jogador recebe uma baita de uma colher de chá: são ridiculamente fáceis, genéricos e sem carisma algum. As batalhas são entediantes e sem emoção alguma, isso fora a trilha sonora que se faz inexistente no jogo inteiro.

Um dos únicos pontos positivos, e que precisamos ser sinceros, foram as texturas utilizadas. Os gráficos do game não são tão ruins levando em consideração o fato de ser um jogo independente, porém são tão mal aproveitados que nem isso salva o jogo da 7levels de ser uma experiência frustrante.

*Jogo foi gentilmente cedido pela 7levels.
50%
Fraco

Veredito

Infelizmente um jogo que tinha tanta premissa se afoga na lama do fracasso com um gameplay muito pobre, um sistema quebrado, movimentação travada e sem precisão, junto a uma história extremamente clichê. A trilha sonora é inexistente, não há emoção alguma durante a jogatina. Inimigos, bosses e cenários muito genéricos nos transmite uma sensação de que Castle of Heart foi um jogo feito às pressas, sem nenhum cuidado ou sentimento em sua produção. É uma pena pois um jogo de plataforma ambientado em um universo de fantasia sombria seria um prato cheio para os amantes do gênero no Nintendo Switch.

  • Nota Final
você pode gostar também