Análise – Donkey Kong Country: Tropical Freeze (Switch)

O gorilão mais famoso do mundo dos games volta com tudo no Switch e trouxe uma nova companhia

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Quando Donkey Kong Country: Tropical Freeze foi anunciado para o falecido Wii U, em 2013 e lançado em 2014, o público foi a loucura, já que o seu antecessor, Donkey Kong Country: Returns, foi um tremendo sucesso, não só de público como também da crítica especializada.

Lançado Tropical Freeze os grandes portais de jogos não perdoaram e criticaram bastante a alta dificuldade do jogo, principalmente para se completar o famigerado 100%. De resto os especialistas elogiaram bastante a trilha sonora, direção de arte, animações e etc. Porém, na minha humilde opinião pessoal de redator, acho que muito desse “hate” com a dificuldade de Tropical Freeze se deve ao fato do Wii U ter deixado toda a indústria de games muito frustrada graças as estratégias que a Nintendo estava adotando no seu até então novo console e que não estava agradando muito o público. O motivo de eu chegar nessa conclusão é simples: jogos das franquias principais da Nintendo sempre foram difíceis e porque justamente no DK eles implicaram tanto assim? Fica aí o questionamento.

Bom, saindo do âmbito das teorias do redator vamos ao que interessa: a “remasterização” de Donkey Kong Country: Tropical Freeze para o Nintendo Switch

Uma nova companhia, uma nova dificuldade

A Nintendo, em resposta às críticas de dificuldade do jogo original, decidiu trazer um personagem já conhecido da franquia como jogável: Funky Kong. No modo chamado de “Funky Mode” o jogador tem a opção de jogar com Funky, este possui 5 corações, uso ilimitado de itens, tem a habilidade de andar em cima da prancha para evitar dano de espinhos, para planar e andar sobre a água. Funky também pode respirar de baixo d’água graças a uma máscara de oxigênio. Ao escolher Funky o jogador tem a opção de jogar apenas com ele ou com Donkey Kong e sua cia. (que pode ser Diddy, Dixie ou Crank Kong). Ao escolher DK no Funky Mode cada personagem fica com três corações e os itens também podem ser usados sem limitações.

Funky Mode é para aqueles que querem aproveitar da beleza do jogo, da história e das músicas sem ter que aguentar a alta dificuldade que a versão original traz, pois a Nintendo percebeu que o desafio estava atrapalhando a experiência de conhecer o jogo para alguns jogadores mais casuais.

Para os veteranos que torcem o nariz para o novo modo tenho uma noticia boa: o modo original também está disponível. Ele é exatamente do mesmo jeito do que no Wii U, sem tirar e nem pôr. Os tempos de passar raiva não acabaram, podem ficar tranquilos.

Se era bonito em HD, imagina em Full HD?

A diferença da versão de Wii U para o Switch não se resume apenas ao Funky Mode. Ao começar o jogo já se sente uma diferença: a resolução. Tropical Freeze ganhou um upscaling de 720p do Wii U para 1080p para o Switch no Dock. Os gráficos ficaram um pouco mais nítidos, tirando alguns borrados e senti também que as cores ficaram mais fortes com relação ao original.

No Wii U ele já era maravilhoso, mas no Switch ficou impecável. A direção de arte é de causar inveja em qualquer desenvolvedor e as animações são de alta qualidade, existe uma naturalidade nas expressões, na movimentação dos personagens e dos inimigos que é de cair o queixo. A Retro Studios teve muito cuidado na criação em toda a arte do jogo, principalmente no que diz respeito aos cenários que trazem uma riqueza enorme de detalhes e de interação com o jogador.

Enquanto os Kremlings não voltam, temos os Snowmads

Muita gente ainda procura entender o por quê da Retro não utilizar os clássicos vilões da franquia na nova saga de Donkey Kong, algo que foi muito criticado em Returns inclusive. Em Tropical Freeze eles também não voltaram, porém os inimigos são tão carismáticos quanto. Os Snowmads são animais que vivem em terras geladas, que decidem invadir a ilha dos Kongs, justamente no aniversário de Donkey Kong, e os expulsam da ilha. Claro que a família de macacos não ia deixar isso barato.

Há vários animais entre os Snowmads, desde corujas até ursos polares. É engraçado que todos eles possuem uma expressão de emburrados e suas animações os fazem serem muito engraçados, diferente dos Tikis de Returns que ficaram muito sem carisma.

Mas não vão achando que os Snowmads são só engraçados, graças ao level design impecável de Tropical Freeze eles te atrapalham muito durante a aventura para reaver a terra natal dos Kongs.

Aquele level design de respeito

Desde Metroid Prime a Retro vem fazendo um ótimo trabalho, mas o destaque é o level design e ela não iria fazer diferente em Donkey Kong. Em Returns ela também trabalhou muito bem nisso, mas em Tropical Freeze ela foi além. As fases na sua maioria são longas, mas repletas de desafios, detalhes e segredos. Os colecionáveis estão muito bem escondidos pelos cenários e também há passagens secretas que revelam caminhos secretos no mapa.

Tropical Freeze é uma aula de Level Design! Pois além de ser muito bem construído, as fases interagem com seu personagem na medida que você vai avançando, isso fica mais explicito em fases que se autodestroem ou em fases de Carro/Foguete.

Também há muitas referencias ao Returns e à série clássica nos detalhes de algumas fases.

Trilha sonora emocionante

Quando o nome de David Wise aparece nos créditos de algum jogo já sabemos que a trilha sonora será no mínimo perfeita. O mestre musical criou uma trilha que aumenta muito a imersão do jogador, traz a sensação de nostalgia sem ferir a inovação. Há uma gama enorme de instrumentos utilizados nas músicas, dando muita qualidade sonora e harmonia.

As músicas encaixam perfeitamente com as situações. Quando a fase é frenética a música é bem rápida para aumentar a sensação de desespero, já em fases mais calmas as músicas são bem relaxantes ao ponto de te fazer parar apenas pra escutar a música.

Isso tudo fora a sonoplastia que também é extremamente bem trabalhada. Os barulhos dos inimigos, do ambiente, do próprio DK e etc. soam muito naturais, o que também ajuda bastante na imersão.

Controles alternativos

Na versão de Switch a Nintendo acrescentou novos controles para dar mais liberdade de jogabilidade para aqueles que não gostaram dos controles originais, mas há a possibilidade de escolher qual tipo de comando utilizar. Nos controles alternativos é invertido os comandos de batucar no chão e o de segurar itens. É uma boa pedida pra quem quer testar novos controles no game do gorilão.

Jogar de coop continua complicado

Confesso que quando vi o anuncio de Returns e que teria coop local fiquei muito animado, porém na prática não foi tão legal quanto imaginei. Donkey Kong Country, por ser um game de plataforma, exige muita precisão e atenção ao seu personagem, quando os dois macacos ficam separados fica muito difícil acompanhar o ritmo do jogo, pois a atenção se esvai com muito mais facilidade.

Tropical Freeze tem o mesmo problema, o coop continua difícil de jogar de forma séria. Se um personagem fica um pouco pra trás, a câmera não consegue acompanhar direito, junto a todas as animações do cenário, mais os inimigos, mais os colecionáveis que tem que pegar… Aí vira uma bagunça e todo mundo se perde na jogatina.

Rankings online para competir quem é mais rápido

Time Attack é um modo que arranca cabelos de todo mundo que tenta, afinal de contas não é nada fácil passar de uma fase por si só, quem dirá passar por ela toda correndo e com pressa? Pra deixar esse modo mais robusto e competitivo a Nintendo acrescentou na versão do Switch um ranking online em cada fase no Time Attack. Ao conseguir um recorde o jogador tem a opção de fazer upload de sua jogada e compartilhar com outros jogadores. Você pode baixar as jogadas dos outros para assistir e tentar descobrir aquele macete pra passar mais rápido ainda que você não sabia.

Faltou mais novos conteúdos, dona Nintendo

Apesar de ser um jogasso, infelizmente não foram adicionados tantos novos conteúdos como imaginávamos que teria. Geralmente ao fazer um relançamento a Nintendo sempre adiciona algo como um mundo novo e novas fases, por exemplo. No caso de Tropical Freeze só o Funky Mode foi a novidade relevante.

Gosto de usar como parâmetro o relançamento do Returns para o 3DS, onde foi adicionado, além de um modo de jogo mais fácil, um novo mundo com oito novas fases, fazendo com que a versão de 3DS seja a definitiva de Returns. Já quem jogou a versão de Wii U de Tropical Freeze pode ficar decepcionado com a falta de conteúdos novos na versão de Switch. Sendo assim a diferença de experiência entre as duas plataformas sejam praticamente iguais.

95%
Incrível!

Veredicto

Donkey Kong Country: Tropical Freeze é definitivamente obrigatório para quem é apaixonado pela serie da família Kong. Há muito a se explorar, muitos desafios para cumprir, muitos colecionáveis, segredos, uma trilha sonora de tirar o chapéu, animações de alta qualidade e uma direção de arte impecável. Isso tudo fora a dose cavalar de bom humor durante toda a jogatina. Jogar com Funky é muito divertido, porém pra você que já jogou no Wii U não vá esperando muitas novidades na versão de Switch.

  • Nota Final
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